Blog da Pands

18/10/2006

LONGO E TENEBROSO INVERNO E SIMONE



Ia abrir com a foto de uma puta nevasca, pra explicar o longo e tenebroso inverno em que larguei o velho site às moscas. Quer saber, não vou explicar porra nenhuma! Então vai a Simone de Beauvoir, que desde que decidi botar o blog, pensei, vou abrir com aquela foto da Simone. Essa foto saiu na Ilustrada acho que no começo do ano, não é novidade nenhuma, mas dá de dez em qualquer avião explodindo nas torres gêmeas. Isso que é imagem, o resto é pinto, pinto murcho. Simone já passada dos 40, de tamanquinho, ajeitando o cabelo. Aliás, danem-se as novidades. Aqui não tem novidade nenhuma, vou de velharia mesmo. Falando nisso, vou comentar um filme que saiu de cartaz já faz uns meses.



É o BONECAS RUSSAS, do Cedric Kaplish. Continuação do ALBERGUE ESPANHOL, do mesmo diretor. Uma comédia romântica francesa, genero que até abomino, troço meio açucarado, mas me fisgou por algumas passagens geniais. Numa delas, o protagonista, numa rua de perfeita simetria arquitetônica em Moscou, anda hipnotizado atrás de uma mulher que, diga-se de passagem, deixa a tal simetria arquitetônica no chinelo, ou melhor, na sandalhinha. Ele vai hipnotizado, pensando, "por mim, passaria minha vida inteira somente seguindo essa mulher", e depois, "mas pode-se passar a vida inteira assim?"

É uma puta de uma obsessão, eu acho que passaria numa boa minha vida inteira assim, se é que já não passo - de outro jeito, vendo a Simone ajeitar os cabelos no banheiro. Ou melhor, do jeito que o Baudelaire sonhou.



A GIGANTA

No tempo em que, com verme tal que nos espanta,
Gerava a Natureza o ser mais fabuloso,
Quisera eu ter vivido aos pés de uma giganta,
Qual junto a uma rainha um gato voluptuoso.

Me agradaria ver-lhe o corpo e a alma em botão
E após segui-la em seus insólitos folguedos;
Saber se a alguma chama lhe arde ao coração
Sob as úmidas névoas de seus olhos quedos;

Tatear-lhe as formas como quem percorre espelhos;
Ascender à vertente de seus grandes joelhos,
E às vezes, no verão, quando tangente ao solo,

O sol violento a deixa exausta na campina,
Dormir languidamente à sombra de seu colo,
Como um burgo tranqüilo ao pé de uma colina.

Como podem ver, quando digo que não tem novidade, o troço é pra valer. O poema vai por volta de 1857. Se continuar assim, vou acabar botando o Esopo nesse post. Melhor não. Enfim, é só pra contar de onde saem umas tiras do Chico Bacon, como a daí debaixo. Hoje, se quiser dar risada, entra no blog do Ronaldo. O Fogo no Rádio também recomendo, aliás, o site inteiro. É bom voltar à ativa.


Escrito por Blogueiro às 22h33

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